Kun
Ônix · o menino de ninguém
Escravo estrangeiro, aguadeiro do palácio, vendido pequeno pelo próprio pai. Cresce sem nome nem origem — de todos, de ninguém. Belo de um modo que se paga: foi por ser o mais aparente que o venderam.
Livro I · A Trilogia da Luz Preta
pedra · vida · nome
A obra em um fôlego
Um escravo sem nome cresce à beira do Nilo acreditando, no fundo secreto de si, ser alguém — talvez um rei.
Uma princesa que vê o que os outros não veem o reconhece, e guarda o nome dele como quem guarda um segredo. Um homem vindo de além do deserto lhe confirma o sonho: és rei.
É verdade — e é uma armadilha.
Quando ela se torna Rainha e parece já não amá-lo, ele foge no mar, embarcado nas cinco naus de uma grande expedição ao sul. Só então descobre a verdade sobre quem é. E, quando tudo desaba, uma vela aparece no horizonte.
O mundo
Fantasia enraizada na história real do Egito de Hatshepsut, no auge do Império Novo. Tebas ergue-se em dois planos separados por uma ladeira de terra batida.
Os muros, os pátios, as colunas pintadas, os anos contados no barro para que não morram com as bocas que os dizem. Amón reina em Karnak; o faraó reina sob Amón; e sob o faraó, uma escada inteira de gente que manda em quem está um degrau abaixo. É o mundo de Hat.
O Nilo e os que servem — as mãos que carregam para que outras mãos não precisem. É onde o aguadeiro desce buscar água, e o único lugar em que fica só. Ali ele achou a pedra. Ali fica a casa de pedra preta, mais antiga que a cidade, que a cheia nunca leva.
Entre os dois, a ladeira: desce vazio, sobe cheio. É lá embaixo, longe de todos os olhos, que a princesa e o escravo — vindos de mundos que jamais se tocam — se encontram. Não é documentário: é lenda apoiada em pedra real.
O mistério que sustenta tudo
«A luz é mais forte quando dois estão perto um do outro.»
Por isso ela dormiu a vida inteira, aparecendo apenas em lampejos fracos — às vezes, com a lua, e ninguém sabe por quê.
A ônix é o corpo verdadeiro: o khat, a primeira das partes da alma no pensamento egípcio. A carne é de empréstimo; a pedra precede a carne e lhe sobrevive.
A pedra que o menino acha no rio não é objeto qualquer. Saltou-lhe aos olhos como salta um rosto conhecido no meio da multidão. Ele não a encontrou — reconheceu-a.
Por que a luz vem com a lua?
Ninguém saberá. Nem Hat. Nem você.
Quem habita esta história
Ônix · o menino de ninguém
Escravo estrangeiro, aguadeiro do palácio, vendido pequeno pelo próprio pai. Cresce sem nome nem origem — de todos, de ninguém. Belo de um modo que se paga: foi por ser o mais aparente que o venderam.
Hatshepsut · a que vê longe
Filha do faraó, princesa criada no palácio-templo, temida pelo dom que a corte sussurra ser favor de Amón. Vê o menino quando ninguém o vê, e guarda o nome dele arriscando a própria posição. Não é resgatada: é quem resgata.
A que lê presságios
A velha ama de leite que criou Hat ao peito — a única na corte sem medo de uma menina que vê longe. Lê o que vem nas coisas, teme o que sobe do deserto e cala o que sabe. Vê o que virá; Hat vê o que é.
O caçador · a cobiça
Vindo de além das areias, conhece toda a história de Kun. Volta em dois tempos: caçador silencioso na infância, sedutor mais tarde. Sua arma mais afiada não é a força — é a verdade, usada como isca. E a semente que planta segue corroendo por dentro, mesmo depois que ele parte.
O pai
Vendeu o filho mais belo, crendo — à sua maneira torta e ignorante — que separar era salvar. Amor sem saber amar. Nunca foi rei: a coroa que o filho sonha veio de outro lugar.
Guardado para o fim
E, no último capítulo, um segredo que parte o livro ao meio — e muda tudo o que você julgava saber sobre quem é o menino sem nome. Sobre ele, por ora, o silêncio é uma promessa.
A jornada do Livro I
De todos, de ninguém. Um nome antigo, guardado para dentro: Mankun.
Hat o reconhece e guarda o nome dele — uma dívida antiga começa a ser paga.
A lisonja da coroa. A verdade oferecida como isca: és rei.
O mito de si o transforma. O menino de ninguém ganha uma coroa imaginária.
Hat se torna Rainha e parece já não amá-lo — e é na aparência que ele se perde.
Marinheiro poliglota, foge pelo mar rumo ao sul, ao desconhecido.
Na praia do sul, a verdade inteira sobre de onde ele vem — e o que herda.
Quando tudo desaba, uma vela aparece. Ela o seguira.
Os dezoito capítulos
A obra maior
Três revelações que rimam sem se repetir.
pedra · vida · nome
Livro I disponível em edição digital. KA e REN, a caminho.
O autor
Professor, terapeuta e eterno aprendiz. Sua trajetória atravessa três mundos aparentemente distantes — a língua e a cultura italiana, o Tai Chi Chuan tradicional e a terapia miofascial — unidos por uma convicção simples: transformação real acontece quando corpo, mente e propósito caminham juntos. Vive e escreve em Imbituba, Santa Catarina.
Capobranco Edições · Edição do autor · ISBN 978-65-02-31992-5
pedra · vida · nome